As empresas estão preparadas para lidar com o minimalismo?

A palavra de ordem é consumir menos e de forma mais consciente. E agora? A pergunta que as empresas devem estar fazendo neste momento. Este é um golpe e tanto para as marcas que faturaram muito nos últimos anos criando desejo sob o produto ou serviço que comercializavam. Para isso, adotaram diversas narrativas que surgiam na sociedade e nas redes sociais.

É comum ver marcas abraçando causas a fim de criar uma relação de proximidade com o consumidor final e, com isso, os conduzirem para o caixa e fazer a máquina do lucro girar.  Já consumimos por diversas razões: para ostentar ou para protestar, todavia, a nova onda está em não consumir – inclusive, tem pessoas encarando o desafio de ficar um ano sem comprar absolutamente nada (claro, que comida é uma exceção).

Diante de tudo isso, como as empresas devem se apropriar deste comportamento para continuar crescendo? Na minha opinião, de uma leitora e observadora desses movimentos, essa seria uma grande oportunidade para repensar nos modelos de negócios – que para muitas já apontam o esgotamento, especialmente depois da entrada de concorrentes como Airbnb, Uber, bla bla bla car, entre outros.

A única certeza que temos é que estamos vivendo hoje na fronteira que divide o que temos e o que teremos no mercado nos próximos anos. Isso significa dizer que há empresas que irão desaparecer e outras que vão se transformar bruscamente para sobreviver. Esse impacto poderia ser positivo e as empresas poderiam adotar o modelo minimalista também, dando valor para o que realmente importa: pessoas.

Há muito consumismo ainda? Óbvio que sim. Mas é preciso notar que as pessoas estão cansadas de serem escravas do dinheiro e estão buscando práticas que permitam mais liberdade. O que significa que a tendência é reduzir e priorizar. Então reflita se a sua marca tem construído uma relação de necessidade consciente com o seu público. É hora de pensar nos propósitos da marca e não é para ganhar uma premiação em Cannes, é para sobreviver!

A minha sugestão para as marcas é a apropriação do papel como impulsionadora da economia circular por meio da produção consciente de produtos e preços mais justos atrelado a destinação mais responsável para os desperdícios. Ou seja, uma marca de moda pode confeccionar menos peças e as sobras serem destinadas para ONGs de moda, negociadas numa página online como um brechó, por exemplo. Essa mesma empresa pode ainda oferecer cursos para que as pessoas saibam montar o guarda-roupa e mantê-lo só com as peças que realmente usam.

Os restaurantes idem. Poderiam criar um menu diferenciado com os itens que sobraram, mas que ainda estão em condições de serem consumidos, por exemplo. Já imaginou que bom seria se os hotéis e companhias aéreas pudessem funcionar da seguinte maneira: quanto mais gente comprassem, menor seria o valor da hospedagem ou do bilhete para voar. Muito mais justo, concordam?

É neste sentido que eu acho que as empresas precisam ir para um SPA repensar a respeito do futuro. Agora os números podem não alcançar as metas em decorrência da crise, mas muitos podem se frustrar com a retomada da economia. As pessoas querem menos dívidas para ter mais tempo com a família, com os amigos e para dedicar-se a projetos sociais, por exemplo.

Engana-se quem acha que pode superar este desafio adotando um mote de campanha que inclua estas narrativas como discurso. É preciso ter um propósito vivo, caso contrário é bom começar a comemorar os últimos aniversários de vida!

 

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