O que é o tempo?

Ouvi um amigo queixar-se e não me conformei. Ele está à frente do departamento comercial de uma agência de Comunicação que tem diferencial, profissionais de alto nível e vontade de fazer acontecer. Mas não tem tempo de mercado, ou seja, está há apenas dois anos de pé. O que me intrigou profundamente e que me trouxe diversos questionamentos. Afinal, as empresas vivem correndo atrás de projetos inovadores, mas na hora de contratar um fornecedor, buscam os tradicionais; os que fazem o mais do mesmo, mudando o título e a fonte. Não é engraçado?

Quem está no comando de departamentos deve fazer perguntas desse tipo para entender porque os resultados são sempre os mesmos. As startups possuem esse nome que, traduzido para português, significa “começar”. E essas empresas estão criando novos comportamentos, implantando ideias, campanhas, marcas, modelos de consumo. Estão desestruturando um mercado consolidado de gigantes.

O que eu venho propor aqui é justamente um debate com relação ao tempo. Na corrida por clientes importantes para o portfólio das empresas, ganham as que possuem tempo de estrada, mas pouco gás para farejar o novo. Identificar a necessidade dos clientes, aprofundar-se nas mensagens da marca e criar novas possibilidades de comunicação é para quem se permite. Um menino de 12 anos ganhou recentemente um prêmio internacional de robótica. No ano passado, uma garota de 13 anos criou um método de geração de energia limpa de R$ 15. Há muitos exemplos e uma pergunta: O que é o tempo?

Como posso medir pelo tempo a capacidade de surpreender o cliente, o mercado, os investidores. Na minha opinião, esse comportamento é no mínimo precoce demais para ser conclusivo. É aquela história do pré-conceito. O tempo inteiro as pessoas em diversas esferas estão fazendo julgamentos prévios e pífios. Então, como essas mesmas pessoas podem criar significados reais se não se aprofundam, ficam nas primeiras linhas, ou melhor, no título. Um olhar superficial gera resultados superficiais.

Proponho o exercício de elaborar perguntas. Passe um dia como uma criança que responde a tudo com um por quê? É assim que ela descobre coisas novas. Faça o mesmo e descubra que um olhar muda tudo; e para melhor. É a observação que faz as gavetas das memórias se abrirem e ideias brilhantes surgirem.

O que seriam dos grandes profissionais se não fosse o estágio? E o que é o estágio senão o começo? É nesse momento que o jovem aprende muito, mas ensina aos padrões, aos vícios, às ações costumeiras, mostrando que dá para fazer diferente. O estagiário é, muitas vezes, a interrogação que a empresa precisava se fazer para sair do mesmismo.

Experimente sair do tédio das cabeças concordantes aceitando sem questionar a fim de terminar o expediente e ir para casa reclamar do quanto estão cansadas de fazer todos os dias as mesmas coisas e não sentir pulsar a adrenalina do risco, de ver a ideia superar as expectativas, de fazer a diferença. Porque viver oito horas por dia de modo automático deve ser um saco mesmo!

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